A morte da mãe boa demais – Parte 2. O simbolismo

A morte da mãe boa demais – Parte 2. O simbolismo

O texto A mãe boa demais – parte 1″ fala sobre a primeira tarefa da jornada da Iniciação à intuição do conto “Vasalisa”, a morte da mãe boa demais, do Livro Mulheres que Correm com os Lobos, da Clarissa Pinkola Estés.

O texto se aprofundou no processo natural dos pais se tornarem passivos para que os filhos se tornem ativos. 
Dessa maneira, os pais deixam de gerar dependência e podem olhar a sua voz interna e resgatar a intuição profunda.

Recebi muitas respostas com grande comoção sobre o tema. No entanto, o símbolo tem várias facetas e se faz necessário explorar um pouco mais essa relação simbólica da mãe boa demais.

Como em todo conto, tratamos de simbolismo. Assim, a mãe boa demais significa, antes de mais nada, a mãe psíquica, que pode ser expressa de diversas maneiras na vida.

Mãe boa demais representa nossos dogmas e valores associados à segurança e podem ser expressos em diferentes papéis que exercemos, como mãe, filha, no contexto biológico e natural, o que explorei com mais ênfase no texto, mas ela representa toda relação de proteção excessiva que damos e recebemos.

 

 

“A iniciação de Vasalisa começa quando ela aprende a deixar morrer o que precisa morrer. Isso significa deixar morrer os valores e atitudes de dentro da psique que não mais sustentam. Os que devem ser examinados com especial atenção são aqueles dogmas há muito aceitos que tornam a vida segura demais, que superprotegem.”

Quantos papéis vivemos na vida em que sustentamos uma relação de superproteção? Com filhos, esposo, amigos, com um projeto a terminar e nunca está bom, ou sustentando a ideia de que é necessário se sacrificar para ganhar dinheiro ou ser uma boa pessoa.

Qual é o poder da mãe boa demais interna que te diz para ficar na segurança do emprego e não partir para seu sonho ou qualquer outra ideia? É aquela que nos faz sentir como se tivéssemos embaixo da asa de alguma mãe psíquica que fica falando em nossa mente. E assim, não vivenciamos desafios.

Recebi muitas perguntas sobre o texto anterior, “o que fazer?” , “como sair de uma situação de dependência familiar?”, ou , “não sou mãe, mas me sinto presa”

Clarissa nos traz uma chave. Para quem lê o texto, pode parecer estar nas entrelinhas, mas é u caminho para todas as respostas.

“Se ficarmos mais tempo que o normal com a mãe da nossa psique, vamos nos descobrir impedindo todos os desafios de nos atingirem […] ela (a mulher) deve fixar para si mesma alguma coisa na vida que ela se disponha a alcançar e, portanto, assumir riscos para conseguir. É através desse processo que ela aguça seus poderes intuitivos”

Nós precisamos nos comprometer a algo, ter um objetivo, algo a alcançar que alimente a alma, o espírito e traga um sentido para a vida!

Nós sabemos que a mulher intuitiva é uma realidade na psique, ela quer existir! E o que acontece quando se reprime uma intensa energia? É como uma panela de pressão, uma hora pode explodir. A energia vai sair por algum lugar podendo trazer consigo sintomas e até doenças.

Por onde começar? Calma, deixar morrer simboliza partir para uma nova fase e isso não significa quebrar relações ou fazer algo drástico, mas construir postura interna diferente e começar a expressar essa postura na vida.

Você pode começar se perguntando: quais são meus sonhos? Estou indo na direção deles? O que está me impedindo de ir na direção deles? que aspectos de dependência estão me impedindo de fluir e ouvir a minha voz interior? O que preciso mudar, deixar morrer, para ter mais espaço para meu caminhar?

Deixar morrer pode representar afrouxar um pouco a dependência de um familiar ou ser mais exigente com você mesma em relação ao término de um projeto. Não existe fórmula, cada uma deve olhar para o seu exterior, identificar o que não está bom e olhar para o interior e ver qual postura interna permite essa expressão.

Na nossa jornada de evolução, ter coragem para olhar e mexer no que tem para mexer é um caminho desafiador, mas fundamental para conseguirmos transpor os condicionamentos e barreiras que nos impedem de expressar a nossa voz mais profunda.

Bia Rossi

Pesquisadora, terapeura Bodytalk

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