A Morte da Mulher Boazinha

A Morte da Mulher Boazinha

A maioria das mulheres foi  boazinha em algum momento da sua vida e, muitas delas vivem essa realidade, como parte natural da vida.

Ser boazinha é se deixar de lado pelo outro, ceder às suas vontades e verdades.

Na processo de crescimento e fortalecimento do ego, nos vemos pelos olhos do outro, é natural  nos apoiarmos neles. A criança precisa da mãe, depois da família, depois da sociedade. Quando cresce busca um companheiros, amigos. Até que chega um momento em que, o caminho para a autorealização é buscar a identidade internamente, sua voz interior. A resposta não está mais no outro externo, mas no interno. É aí a intuição começa a se fortalecer. 

Nesse momento, é comum perceber em laços de dependência com o outro. A mulher, em vivência maternal, com a mãe, com os filhos, muitas vezes, assume papel de mãe do marido,de projetos. E ela não consegue sair desse lugar de se submeter às necessidades dos outros, porque assim  aprendeu. E isso é um padrão social que aprisiona, inconscientemente, e, assim, nunca chega o momento de cuidar dela.

A mulher intuitiva sabe que vivenciamos ciclos de morte vida e entende que é preciso deixar ir o que tem que ir. Isso também é um ato de se encontrar, de se ver e se perceber só, como se tivesse andando por uma floresta escura e tivesse a sua voz interior como guia.

Caminhar pela floresta escura ao encontro de si mesma, é uma passagem do conto Vasalisa, resgate da intuição como iniciação. Na análise desse conto por Clarissa Pinkola Estés, um passo importante na iniciação da intuição da mulher é deixar morrer a “mãe boa demais”. Simbolicamente, representa um ato refletir sobre o que é necessário deixar ir para que o outro ao qual a mulher cuida possa crescer e desenvolver sozinho e ela possa, então, se dedicar ao seu crescimento.

Eu trabalho com muitas mulheres e percebo uma grande dificuldade nesse sentido. Cuidar e se cuidar, dar e receber. Viemos num contexto cultural onde a mulher faz muito, recebe menos e precisa se sacrificar pelos filhos e família, senão é considerada egoísta.

Com isso, a balança da ajuda fica descompensada e a mulher se colocando em 2º, 3º, 4º plano. Ela foi ensinada que deve fazer primeiro para os outros, e depois para ela. E essa hora parece nunca chegar.

Ela faz uma coisinha aqui, outra ali por ela, mas parece que está buscando aquela virada de chave que parece nunca chegar. A virada acontece quando a mulher forte, intuitiva, que existe na psique, se reinstaura e ela pode se manifestar na vida e trazer a clareza das decisões, leveza e tranquilidade para criar uma vida ao modo dela.

Você identifica com essa mulher?

 

Bia Rossi

Pesquisadora, terapeura Bodytalk

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