Doença, o presente escondido na dor

Doença, o presente escondido na dor

Você já percebeu o quanto saímos transformados depois de um processo de doença?

Calma, não estou dizendo que doença é bom, mas também não digo que é ruim. Bom e ruim são julgamentos. Prefiro falar em agradável ou desagradável.

Quando estamos bem, felizes, saudáveis, tudo dando certo, ficamos gratos, alegres. E quando estamos na dificuldade, nos sentindo irritados, tristes, com dor, com problemas financeiros? A gratidão vai embora. Reclamamos, ficamos mais tristes, perguntando “o que fiz para merecer isso”, muitas vezes, se sentindo coitados e injustiçados pela situação.

Nossa vida é feita de altos e baixos. Nossos sintomas físicos, sentimentos “ruins” como tristeza, medo e fatos “desagradáveis”, fazem parte do nosso processo de mudança e crescimento.

Eu me inspirei a escrever esse texto por uma experiência que acabei de passar. Fiquei cerca de 2 anos com pedra na vesícula, lutando. Na minha cabeça a cura era dissolver a pedra. Sofri, me culpava porque não conseguia fazer direito as orientações alimentares. Esse caminhar me levou a descobrir a Yoga, a Nutrição Ayurvédica, (indiana), revi muitos medos, crenças.

Quando resolvi acolher o processo sem lutar, resolvi retirar cirurgicamente. Isso para mim representava uma derrota no começo, eu queria que a cura viesse do meu jeito. Mas ao mesmo tempo, minha intuição dizia buscar um estado de fluir. Me abri para ouvir e simplesmente sentir qual seria o caminho, sem julgar, abrindo mão da minha vontade egóica.

Foi então, que o procedimento cirúrgico se mostrou como o caminho. Fui para o hospital já me sentindo curada, agradecida pelo processo, entendi que a cirurgia era um símbolo de todo processo interior que estava se mostrando.

E o que aconteceu depois? Emagreci 7 kg, consegui mudar hábitos alimentares, uma nova consciência surgiu. Tudo isso foi um grande processo de autoconhecimento. Gratidão eterna às minhas pedrinhas.

Somos gratos à vida “na alegria”, mas “na tristeza”, viramos as costas para a energia de gratidão.

Na doença afloram sentimentos escondidos, medos, as ervas daninhas escondidas no nosso jardim interno aparecem e temos a possibilidade de arrancá-las.

Você já percebeu as reflexões profundas que surgem com a doença? Como você se torna outra pessoa depois de um momento de dificuldade? Um salto quântico acontece. Surge o novo. O seu novo. Véus vão embora e um pouquinho daquele mar de inconsciente se torna consciente e nos conhecemos um pouquinho mais. 

Quando surgir um estado de gratidão para todos os altos e baixos, você vai estar acolhendo a vida ao invés de lutar contra ela, perceberá que são presentes que chegam para trazer luz. Poderá aproveitar o aprendizado pertinente a cada momento e terá muito mais fôlego para caminhar e chegar a cura e a liberdade que ela representa.

E você, como tem passado os seus momentos difíceis? Quais suas maiores dificuldades hoje?

 

Bia Rossi

Pesquisadora, terapeura Bodytalk

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